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Meu filho nasceu em época de pandemia

Meu filho nasceu em época de pandemia

por Nátaly Polycarpo, mãe de primeira viagem, 29 anos, analista de marketing do Grupo Dermiwil

A maternidade traz uma enorme expectativa. É tanta preparação até o aguardado momento em ter o nosso filho pela primeira vez nos braços, que não queremos que nada saia de nosso controle.

Comigo não foi diferente, sou mãe de primeira viagem e isso me fez pesquisar muito, fiz plano de parto, assisti a vários vídeos de youtubers , li, conversei com outras mães para pegar todas as dicas possíveis e estar preparada para os primeiros dias junto com o meu bebê. Então tudo sob controle, certo? Na realidade percebi que não…

Meu filho nasceu no dia 04/04/2020. Ou seja, na reta final do pré-natal, me deparei com o início do surto do novo tipo de CORONA VÍRUS (COVID-19) e isso impactou muito todo meu planejamento de pré e pós-parto.

Gostaria de compartilhar com vocês alguns pontos que mexeram comigo e como passei por eles.

Quebra de Expectativas

Havia sonhado com um parto humanizado em um local que eu já conhecia, com os médicos que me acompanharam durante toda a gestação, com minha mãe junto comigo na hora do parto e em receber todos os meus amigos e parentes com lindas lembrancinhas para eles levarem de recordação. Porém, meu parto foi uma cesariana, quem acompanhou o meu parto foi o meu pai, em um hospital que nunca havia entrado, com uma equipe médica que eu não conhecia e sem nenhuma visita. E mesmo assim, tudo deu certo!

Aceitar que não podemos controlar tudo acredito que seja o primeiro passo para diminuir as frustações em um momento de incertezas. Seria literalmente viver um dia e uma coisa de cada vez, nada quebrará a importância do momento especial que está vivendo. Mesmo que não seja da forma que sonhamos, ainda assim a experiência será única!

Isolamento

Na madrugada da minha internação foi decidido que não poderíamos mais ter acompanhante durante a espera para o parto, ou seja, meu pai precisou aguardar do lado de fora até o momento que eu estivesse pronta na sala de cirurgia. Ao receber essa notícia desabei a chorar, me senti desamparada, eu queria um abraço, uma conversa com uma pessoa que confiava do meu lado.

Nesse momento, o celular me ajudou muito para trocar mensagens com amigos e parentes, escutar uma música que gostava, isso amenizou o sentimento de solidão e nervosismo.

Pedir ajuda!

Passados os três dias de internação pós-parto eu recebi alta, mas o Martin não. Ele precisou ficar em observação por mais uma semana até melhorar. Fiquei muito angustiada com a notícia e no segundo dia da internação dele eu tive uma crise de choro, angústia e desespero.  

Uma enfermeira ao me ver naquela situação perguntou se eu queria conversar e se eu disse SIM, isso foi muito importante, pois ao conversarmos além de colocar todos aqueles pensamentos ruins para fora, segui a um conselho dela, o de procurar o médico e a psicólogo do hospital. Ao receber o tratamento adequado e me sentir acolhida, me ajudou a seguir em frente com mais segurança para cuidar do meu bebê.

Primeiro precisamos cuidar de nós mesmos para assim poder cuidar do outro. É parecido com a lógica das máscaras de oxigênio do avião ”Primeiro coloque em você para depois colocar no outro”.

São várias coisas para assimilar, maternidade, pandemia, hormônios… Nada é culpa da nova mamãe e cuidar da própria saúde física e mental faz muita diferença para cuidar do recém-nascido.

Virar a Chave

Sem visitas, estadia prolongada no hospital e sem ajuda durante o dia para cuidar do bebê nas primeiras semanas.

Me adaptar às novas situações e arranjar novos caminhos, foi a forma que encontrei para lhe dar com as intercorrências que aconteciam. Precisei desapegar das ideias iniciais que não deram certo e me   abrir a novas oportunidades de aprendizado e vivência.

Por exemplo, as visitas de amigos e familiares foram adiadas para um grande encontro de Boas Vindas ao Martin (meu filho) para quando estiver seguro sair da quarentena, com direito até a lembrancinhas.

A estadia prolongada me fez aprender mais sobre cuidados com o Covid-19, amamentação,   cuidados gerais com o recém-nascido, dicas para acalmá-lo, e a perder o medo de dar banho sozinha nele.

E ter que me dedicar 100% a ele durante o dia, sem mais ninguém em casa, me ajudou a aumentar a conexão com ele, aprendi literalmente a “me virar”, pois se eu não faço ninguém irá fazer, ou nos entendemos ou nos entendemos …=)

Para finalizar

Nenhuma das situações que citei foi fácil de passar e com certeza muitas mulheres passarão por momentos de aflição, dúvidas e de insegurança nesse período complicado.

O que eu gostaria de mostrar com esse relato é que apesar de difícil, podemos nos adaptar em diversas situações. Não é preciso passar por tudo sozinha e nem ser forte o tempo todo, pedir ajuda sempre poderá ser uma opção. Estamos em isolamento social, mas não precisamos isolar nossos sentimentos. Poucas mães passaram pela experiência de trazer uma nova vida em um período de pandemia, passarmos por essa situação nos deixará mais fortes do que nunca.

Se tornar mãe sempre será muito especial. Me proporcionou a reconexão com a minha fé, através do Martin tenho minha dose diária de vida e esperança.

Quando as coisas ficarem difíceis, lembre-se que tudo passa.

Um forte abraço à distância, mas com muito carinho!

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